A paróquia de Sta. Teresa, administrada pela Companhia de Jesus, está situada no centro de Rumbek. A cidade é a capital do estado dos Lagos Ocidentais, na República do Sudão do Sul. Foi aí que a AJAN conduziu uma formação de formadores AHAPPY, de 13 a 16 de junho de 2019.

Em cima: uma sessão de grupo

AHAPPY é uma nova iniciativa na Paróquia de Sta. Teresa e em toda a diocese de Rumbek. A formação foi pedida pelo pároco, P. Augostine Ekeno, SJ. Nas suas palavras, o HIV e a SIDA constituem uma realidade ameaçadora que está a devastar a população do Sudão do Sul. “O que é mais terrível é que a comunidade nunca fala de tal”, diz. Muitas pessoas não querem ser testadas para ficarem a conhecer o seu estado. Quem está infetado pelo vírus não quer ser descoberto.

Uma pesquisa conduzida dentro do Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA), em 2017, evidenciou um aumento da prevalência do HIV/SIDA, o que constitui uma grave preocupação para este novo país com acesso limitado a serviços médicos ou de prevenção do HIV, bem como baixos níveis de literacia. Foi esta preocupação que levou o P. Augostine a considerar a necessidade de capacitar os jovens locais para serem capazes de liderar a sensibilização da sua comunidade e de promover uma transformação construtiva.

Em baixo: Um representante dos ‘cuidados primários’ da Diocese de Rumbek faz uma apresentação

Durante a formação, sentiu-se palpavelmente a partir destes jovens como estar infetado pelo HIV é um anátema. Alguns afirmaram de facto que ter o vírus ou a doença corresponde a uma ‘sentença de morte’. “Assim que alguém declarar que é seropositivo, a sua vida acabou, a informação será espalhada e, onde quer que a pessoa vá, será rejeitada por toda a comunidade”, disse um deles.

O nome local dado pela comunidade ao HIV e SIDA é Adarwel, o que significa algo que é resistente aos medicamentos e para o qual não há cura. Entende-se assim que quando alguém é conhecido como Adarwel, é-lhe passada uma sentença de morte. As pessoas até receiam que os profissionais de saúde venham a ter conhecimento do seu estado. Há ainda falta de confidencialidade nos centros de testagem. Como consequência, há muitas pessoas que desconhecem o seu estado, colocando a população sob um maior risco de infeção.

Ao completarem o curso, os formandos receberam um certificado

 Como resultado disto, as pessoas temem submeter-se ao teste do HIV. Essa será uma das razões pelas quais os dados disponíveis quanto ao HIV e à SIDA são inadequados. De acordo com um relatório do Journal of public health and emergency de dezembro de 2018, a prevalência do HIV no Sudão do Sul está estimada em 3%, com aproximadamente 150.000 a 200.000 habitantes a viverem com o HIV e a SIDA. Calcula-se que haja aproximadamente 14.000 novas infeções por ano, das quais aproximadamente 1.800 (12,9%) em crianças (0-14 anos). O relatório refere ainda que embora o número de estruturas sanitárias que proporcionam os testes tenha aumentado e mais pessoas tenham sido testadas entre 2016 e 2017, apenas 32% dos primeiros 90 do alvo 90-90-90 da ONUSIDA foram atingidos. Isto indica que é ainda irrisória a frequência dos serviços de testagem por parte da totalidade da população.

O AHAPPY foi identificado como uma das formações necessárias para os jovens que são muito vulneráveis e incorrem em elevado risco de infeção pelo HIV, devido a fatores tanto culturais como políticos.

Os participantes desta formação AHAPPY eram provenientes das quatro paróquias, Sta. Teresa, Sagrado Coração, Santa Cruz e da Catedral da Sagrada Família, embora o maior número viesse da paróquia anfitriã (Sta. Teresa). Houve outros grupos ativos na diocese a enviarem também os seus representantes; contam-se aí os Cuidados primários de Saúde da diocese católica de Rumbek e o pessoal das estações de rádio que operam na cidade de Rumbek. O número inicial de participantes ascendeu a 29 e no final foram entregues certificados.

Os jovens formados demonstraram um grande entusiasmo e determinação em romper o silêncio prevalente na sociedade e em reduzir o estigma associado a quem é seropositivo. Ainda que tenham reconhecido a existência de muitos obstáculos no seu caminho, mostraram a disposição de fazer mais para explorar abordagens que possam ser mais facilmente aceites pela comunidade e assim aumentar a eficácia da sua missão. Propuseram atividades como representações teatrais, entrevistas e programas na rádio, plataformas de serviços comunitários, conversas nas escolas e encontros paroquiais e simpósios e conferências para os jovens.

Quanto ao P. Augostine Ekeno, assegurou o seu apoio, orientação e aconselhamento na execução das atividades de sensibilização. Nas suas observações de encerramento, o P. Ekeno encorajou-os a serem emissários e negociadores dedicados das mudanças que esperam ver na comunidade, especialmente quanto a conduzir as pessoas para uma geração livre do HIV e da SIDA. Recordou-lhes que estavam a ser enviados, não apenas pela Paróquia de Sta. Teresa ou pela diocese de Rumbek, mas pela Igreja para levarem esta formação a toda a comunidade.

O P. Augostine Ekeno entrega um certificado a um participante que a completou com sucesso