{"id":7501,"date":"2020-07-21T17:00:55","date_gmt":"2020-07-21T14:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ajan.africa\/?p=7501"},"modified":"2021-10-26T08:18:19","modified_gmt":"2021-10-26T08:18:19","slug":"tratar-os-beneficiarios-com-condescendencia-conduz-a-um-fracasso-certo-na-implementacao-de-um-projeto-descobrem-os-participantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ajan.africa\/pt\/tratar-os-beneficiarios-com-condescendencia-conduz-a-um-fracasso-certo-na-implementacao-de-um-projeto-descobrem-os-participantes\/","title":{"rendered":"Tratar os benefici\u00e1rios com condescend\u00eancia conduz a um fracasso certo na implementa\u00e7\u00e3o de um projeto &#8211; descobrem os participantes"},"content":{"rendered":"<p>Por Caleb Mwamisi<\/p>\n<p>Certa vez, algumas mulheres de uma zona rural do Qu\u00e9nia juntaram-se com o \u00fanico objetivo de se libertarem e \u00e0s suas fam\u00edlias dos grilh\u00f5es da pobreza. Tiveram a sorte de uma freira cat\u00f3lica, Anna, que trabalhava na igreja do povoado, ter concordado em se juntar a elas. Ela iria assumir pap\u00e9is fulcrais, tais como a dire\u00e7\u00e3o dos projetos que inclu\u00edam casas de aluguer e uma padaria. Ela recolhia o aluguer, viajava para Nairobi para comprar farinha de pastelaria, entre outras tarefas. As mulheres ficavam atr\u00e1s e limitavam-se a outras tarefas perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Os projetos de desenvolvimento s\u00e3o na sua maioria concebidos tendo em mente o bem maior da sociedade. S\u00e3o formulados em fun\u00e7\u00e3o de necessidades ou problemas que requerem uma solu\u00e7\u00e3o para aliviar as condi\u00e7\u00f5es de vida de um povo. Por conseguinte, nascem de uma convic\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o de fazer o bem, desde o in\u00edcio. No entanto, a forma como os projetos s\u00e3o planeados e executados determina se ir\u00e3o ser bem-sucedidos, ou se falham rotundamente. Esta tem sido a raz\u00e3o de ser da s\u00e9rie de forma\u00e7\u00f5es que os membros da rede AJAN t\u00eam vindo a beneficiar de modo regular desde junho de 2020.<\/p>\n<p>As mulheres do meio rural da hist\u00f3ria de abertura, n\u00e3o diretamente envolvidas no seu pr\u00f3prio projeto, perderam conhecimentos e experi\u00eancia essenciais e pagariam caro por isso quando a freira foi chamada para uma nova responsabilidade em Roma. &#8220;Como nos pode deixar? Sois como a nossa m\u00e3e&#8221;, observaram no momento da sua partida. Os projetos fracassaram desgra\u00e7adamente porque elas n\u00e3o conseguiram encontrar farinha acess\u00edvel ou mesmo pe\u00e7as sobresselentes para um cami\u00e3o utilizado para o transporte de p\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora tivessem uma boa vis\u00e3o do que queriam, as senhoras n\u00e3o conseguiram emancipar-se, a compet\u00eancia n\u00e3o lhes foi transferida sob a forma de informa\u00e7\u00e3o. As suas margens de lucro diminu\u00edram e a sua diocese assumiu os projetos cuja propriedade lhe foi por elas cedida. Anna n\u00e3o as tinha informado quanto \u00e0 fonte de farinha acess\u00edvel para a sua padaria e de pe\u00e7as sobressalentes. Tamb\u00e9m viram a realizar cobran\u00e7as de renda mal coordenadas, levando \u00e0 sa\u00edda de inquilinos frustrados. Claramente, elas n\u00e3o estavam prontas para a sua partida. Os formadores, Dominic Syuma e Paschalia Mbutu, utilizaram este exemplo para ilustrar as prov\u00e1veis armadilhas dos m\u00e9todos de desenvolvimento que n\u00e3o s\u00e3o meticulosamente articulados para inspirar nos benefici\u00e1rios a a\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n<p>&#8220;Porque acham que a Irm\u00e3 fez todo o trabalho em vez das mulheres?&#8221;, questionou Dominic. &#8220;A Irm\u00e3 teve de executar as tarefas por elas porque n\u00e3o estavam em condi\u00e7\u00f5es de o fazer&#8221;, apontou o P. Vedaste do Yezu Mwiza. &#8220;A freira sentiu-se mais exposta e apresentou-se como tal ao grupo que, por sua vez, se manteve na sombra em vez de revelar as suas capacidades e, pelo contr\u00e1rio, deixou tudo a seu cargo&#8221;, disse Enos Matangwe Sikoyo, do Programa de Desenvolvimento de S\u00e3o Jos\u00e9, em Kangemi, Nairobi. &#8220;As pessoas n\u00e3o imaginavam que a Irm\u00e3 pudesse um dia deix\u00e1-las. Praticamente n\u00e3o se envolveram ou procuraram ser iniciadas nas tarefas que ela tinha estado a realizar&#8221;, acrescentou o P. Ismael.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se da perce\u00e7\u00e3o que temos das pessoas que acompanhamos. Tem de ser correta&#8221;, revelou a Dra. Paschalia Mbutu. Ela passou a aprofundar a necessidade das organiza\u00e7\u00f5es ou indiv\u00edduos terem o cuidado de n\u00e3o se tornarem &#8216;ajudantes&#8217;, mas de estimularem capacidades e permitirem que as pessoas resolvam os seus pr\u00f3prios problemas, pois \u00e9 isso que garante o triunfo.<\/p>\n<p>Os participantes continuaram a beneficiar de novas abordagens na implementa\u00e7\u00e3o de projetos. Est\u00e3o a aprender mais sobre &#8220;como fazer&#8221;, tendo os seus olhos abertos para &#8220;como n\u00e3o fazer&#8221;. As sess\u00f5es s\u00e3o interativas e uma ajuda valiosa durante este per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas t\u00eam o potencial para lidar com os seus desafios&#8221;, disse a Dra. Paschalia. &#8220;N\u00e3o devemos assumir os projetos, devemos antes tornar-nos facilitadores para a comunidade. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o in\u00fateis. T\u00eam recursos&#8221;, Dominic encerrou assim o encontro. A pr\u00f3xima sess\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o ficou agendada para 24 de julho de 2020.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Caleb Mwamisi Certa vez, algumas mulheres de uma zona rural do Qu\u00e9nia juntaram-se com o \u00fanico objetivo de se libertarem e \u00e0s suas fam\u00edlias dos grilh\u00f5es da pobreza. 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