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Reflexão para o Primeiro Domingo da Quaresma 2026

A Quaresma é um tempo de autoexame e esperança.

Primeira Leitura: Gênesis 2:15-17; 3:1-7 Salmo Responsorial: Salmo 51:3-6, 12-17 Segunda Leitura: Romanos 5:12-19 Aclamação ao Evangelho: Mateus 4:4b Evangelho: Mateus 4:1-11

A reflexão sobre as leituras de hoje é de S. Anthony IYOKO VILLASON SJ, Centre Catholique Universitaire (CCU), República Centro-Africana.

Meus irmãos e irmãs,

As leituras deste primeiro Domingo da Quaresma apresentam-nos um contraste marcante: a queda de Adão e a fidelidade de Cristo.

O Livro do Gênesis mostra-nos que a humanidade recebe tudo de Deus, mas que, sendo seres frágeis, precisamos viver na presença do Senhor. Quando a humanidade rejeita essa dependência amorosa e busca decidir por si mesma, coloca-se essencialmente no lugar de Deus e rompe a relação que a sustentava rumo a uma autonomia absoluta. É precisamente aí que ocorre a tragédia: o pecado não é principalmente um ato externo, mas antes uma ruptura interior da relação, quando o coração cai na desconfiança. Contudo, se o pecado entrou no mundo por meio de um só homem, é também por meio de um só homem que a graça é derramada abundantemente sobre a multidão, como nos ensina São Paulo.

O Evangelho apresenta precisamente este homem no deserto: Jesus Cristo. Ele enfrenta as provações não por meio de força externa, mas pela Palavra de Deus interiorizada. As cinzas que recebemos em nossas testas marcam o início desta prova no deserto. Onde Adão cedeu no jardim, Cristo permaneceu fiel na aridez. Jesus aparece, assim, como o novo Adão, aquele que restaura a humanidade reconciliando-a com Deus. Sua luta no deserto é também a nossa hoje, pois o mundo interligado em que vivemos nos expõe a outras formas de deserto: a distração constante, a dependência da opinião dos outros, a ilusão de autossuficiência e até mesmo a busca pelo poder.

Na espiritualidade inaciana, o deserto é o lugar para discernir os espíritos. Santo Inácio nos ensina que a vida espiritual é marcada por movimentos interiores: consolações e desolações. O tentador traz desolação, enquanto o Espírito Santo traz consolação dentro de nós. Com base nessa premissa, a Quaresma torna-se para cada um de nós um tempo de autoexame, um tempo para nos fazer estas perguntas: Quais vozes habitam meu coração? O que me conduz à vida e o que me afasta dela?

Inácio estaria aqui a falar da indiferença inaciana: estar interiormente livre para escolher o que conduz de forma mais plena à vida em Deus. Jesus no deserto é completamente livre: não busca poder, nem prestígio, nem segurança. Ele escolhe apenas a vontade do Pai.

Para nós hoje, em nossa experiência vivida e nas atividades diárias, o deserto pode manifestar-se como nossas provações ou lutas interiores. Mas esses lugares nunca estão vazios, pois Deus está conosco ali. A Quaresma é, portanto, um tempo de esperança. Não é um tempo de tristeza, mas sim um tempo que nos abre à alegria da Páscoa.

Peçamos, portanto, ao Senhor a graça de conhecer intimamente Cristo, que luta por nós, para que possamos amá-lo mais e segui-lo com mais liberdade. E que este tempo da Quaresma seja para nós uma viagem de retorno aos nossos corações e um caminho para a vida nova.

Ad majorem Dei gloriam .

Pe. Matambura Ismael, SJ

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