EMAIL US AT ajan@jesuits.africa
LIGUE AGORA (+254-20) 3884 528
DOE PARA NOSSAS CAUSAS

“Receba esta luz”; uma missa de envio na prisão feminina de Lang’ata, Quênia


Na tarde de terça-feira, 31 de março de 2026, algo discretamente extraordinário aconteceu por trás dos muros da Prisão Feminina de Lang’ata. O que começou meses antes como um programa de formação — modesto em suas ambições, mas ousado em suas convicções — alcançou seu auge em uma Missa de Envio profundamente comovente. A ocasião marcou a conclusão do Programa de Formação em Espiritualidade Psico-Inaciana, uma iniciativa conjunta do Hekima University College e da Rede Jesuíta Africana de AIDS (AJAN), oferecida às mulheres encarceradas como um caminho para a liberdade interior, a cura e a restauração da dignidade humana.

A celebração reuniu uma comunidade que refletia o próprio espírito do programa. Estiveram presentes escolásticos jesuítas do Hekima University College, membros do Apostolado Prisional que acompanharam as mulheres ao longo de toda a jornada, representantes da equipe tanto do Hekima quanto da AJAN, e catequistas que foram companheiros constantes desde o início. Uma presença particularmente significativa foi a de Maman Viviane, a capelã da prisão, cuja convicção e defesa incansável tornaram o programa possível.

A celebração eucarística foi presidida por Paul Mirin’gu, capelão católico do Kenya Prisons Service, concelebrada por Emmanuel Foro e Marcel Uwineza, com a assistência dos diáconos Bonosa Kwadwo Fosu, S.J., e Chidiebere Mberu, S.J. Embora Ismael Matambura, S.J., diretor da AJAN, não tenha podido comparecer, sua mensagem de encorajamento e gratidão foi partilhada com a assembleia.

Na sua homilia, o Pe. Foro refletiu sobre o significado mais profundo do percurso formativo, convidando as participantes a abraçar um caminho que não era apenas académico ou terapêutico, mas profundamente espiritual — um encontro com a própria verdade à luz do Evangelho. O ponto alto da celebração ocorreu durante o Rito de Envio. Uma a uma, as mulheres aproximaram-se, cada uma segurando uma vela apagada. À medida que as suas velas eram acesas a partir da chama do altar, ressoaram as palavras: “Receba esta luz. Mantenha-a acesa — para si e para os outros.” Naquele momento, um sinal visível de transformação e responsabilidade foi confiado a cada participante. Juntas, afirmaram: “Com a ajuda de Deus, manteremos esta luz acesa.” Seguiu-se a entrega de certificados, reconhecendo meses de dedicação e crescimento.

As reflexões subsequentes reforçaram o significado do momento. O Pe. Uwineza falou da missão de uma universidade católica de ir além dos espaços convencionais, enquanto o Pe. Mirin’gu recordou à assembleia que a graça atua livremente, mesmo dentro dos muros da prisão.

O testemunho de uma participante trouxe uma dimensão profundamente pessoal, expressando gratidão aos facilitadores cuja presença tornou a jornada significativa. As suas palavras ecoaram uma verdade central: a formação não é lembrada apenas como conhecimento adquirido, mas como vidas tocadas.

Este espírito de gratidão foi ainda mais aprofundado no voto de agradecimento proferido pelo diácono Bonosa Kwadwo Fosu, S.J., coordenador do programa. Falando em nome da equipa de formação, ele descreveu a jornada não simplesmente como a conclusão de um curso, mas como “o reacender da esperança e a redescoberta da dignidade”. Ele expressou sincera gratidão à African Jesuit AIDS Network pela sua visão e apoio, ao Hekima University College pelo seu compromisso com a formação integral, e à Capelania do Kenya Prisons Service por criar o espaço no qual esta missão pôde criar raízes.

Dirigindo-se às participantes, ele reconheceu a sua coragem e abertura, observando que “a vossa honestidade e resiliência recordam-nos que a transformação é sempre possível”. Ele refletiu ainda sobre o significado da esperança, observando que “embora a esperança possa não ser considerada uma estratégia no mundo corporativo, para nós, como crentes, ela é o próprio fundamento da nossa existência”. Ele enfatizou que essa esperança deve ser ativa e sustentada por práticas espirituais, acrescentando que “através do Exame, da oração e da conversa espiritual, a esperança é nutrida e as nossas vidas tornam-se um testemunho de que, mesmo nos lugares mais sombrios, Deus continua a agir”.

Ele concluiu expressando gratidão a todos que contribuíram de diversas maneiras, afirmando que “a vossa generosidade tornou esta missão não apenas bem-sucedida, mas profundamente significativa”, e ofereceu uma oração final: “que a luz recebida aqui continue a brilhar intensamente, dentro e além destes muros”.

Refletindo mais profundamente, o diácono Fosu lembrou aos presentes que, embora a esperança possa não ser considerada uma estratégia no mundo corporativo, para as pessoas de fé ela é fundamental. Contudo, tal esperança não é passiva: deve ser vivida com coragem e sustentada através de práticas espirituais como a oração, o Exame e a conversa espiritual. Por meio dessas práticas, afirmou, as vidas são gradualmente transformadas em testemunhos da presença duradoura de Deus, mesmo em lugares frequentemente marcados pela escuridão. Ele concluiu agradecendo a todos que contribuíram — espiritualmente, materialmente e pessoalmente — enfatizando que a generosidade deles tornou o programa não apenas bem-sucedido, mas significativo. Sua oração final ecoou o símbolo central da celebração: que a luz recebida continue a brilhar intensamente, tanto dentro quanto além dos muros da prisão.

Acrescentando a esta mensagem de gratidão, a Sra. Pascalia Sergon, Oficial de Desenvolvimento da AJAN, falando em nome do Pe. Ismael Matambura, S.J., Diretor da AJAN, expressou apreço à comunidade Hekima por institucionalizar a presença jesuíta no ministério prisional, observando que “esta missão incorpora a nossa convicção de acompanhar todos aqueles que estão à margem e de não deixar ninguém para trás”. Ela reconheceu os capelães que facilitaram o programa, observando que “a vossa persistência e paixão deram frutos no que celebramos hoje”.

Ela lembrou às mulheres participantes que “vocês são chamadas a permanecer um dom umas para as outras, nutrindo esperança, alegria, resiliência e autoaceitação de dentro, para que a vossa luz possa brilhar para os outros mesmo em circunstâncias desafiadoras”. Aos escolásticos jesuítas, ela afirmou que “o vosso empenho é um testemunho vivo da missão de levar a Boa Nova às fronteiras, mostrando como podemos ser verdadeiros guardiões uns dos outros”. Ela concluiu com um convite a todos os presentes para continuar a espalhar esperança e alegria: “sejam portadores de luz além destes muros, e permitam que este ministério cresça e transforme mais vidas”.

A bênção final foi seguida por um momento de alegria partilhada: um bolo preparado para a ocasião foi cortado e oferecido a todas as detentas presentes, aos facilitadores, convidados e ao pessoal da prisão. Foi um gesto simples, mas cheio de significado. Ao redor desta mesa partilhada, os limites que normalmente definem a vida na prisão suavizaram-se por um momento, e o que permaneceu foi simplesmente uma comunidade celebrando algo bom que foi realizado em conjunto.

O hino de saída marcou o fim da tarde. Mas a imagem que permanece é mais simples: uma fila de mulheres, cada uma segurando uma vela acesa, em pé numa capela da prisão, a quem se diz — e que talvez comecem a acreditar — que carregam uma luz que nenhum muro pode apagar. O Programa de Formação em Espiritualidade Psico-Inaciana não prometeu mudar a sua situação legal. Ele ofereceu algo mais antigo e, à sua maneira, mais duradouro: a possibilidade de encontrar a si mesmas, e a Deus, de mãos abertas. Num mundo que descarta facilmente aqueles que estão atrás das grades, esta cerimônia de envio foi um ato silencioso de resistência e de esperança.

Por Matama Mputu Venance, S.J.
Hekima University College, Nairobi

Pe. Matambura Ismael, SJ

VIEW ALL POSTS

INSCRIÇÃO NA NEWSLETTER

Inscreva-se agora para receber atualizações por e-mail sobre os acontecimentos atuais na AJAN África.

pt_PTPortuguês