Primeira Leitura: Êxodo 3,1-8A.13-15 Salmo Responsorial: Salmo 103 Segunda Leitura:1 Coríntios 10,1-6.10-12 Evangelho:Lucas 13,1-9

O terceiro domingo da reflexão da Quaresma é da autoria de Vincent Opiyo SJ, jesuíta escolástico em regência na Rádio Kwizera, Ngara, Tanzânia.
A Quaresma é um tempo não só de oração, jejum e esmola, mas também de conversão. De facto, os três pilares da quaresma estão ensanduichados por esta graça da conversão. Que depois de jejuarmos em oração, devemos arrepender-nos, efetivamente, converter-nos. É uma alma convertida que se alegra no Senhor – que dá graças em manifestação desta alegria que o Senhor concedeu – que toma as decisões justas.
Este domingo, as leituras convidam-nos a correr o risco certo na vida, seja nos nossos locais de trabalho ou apostolados. Na primeira leitura do livro do Êxodo, Moisés fica surpreendido ao ver a sarça ardente que não se consumia. Nas suas conversas iniciais com Deus, hesita em dispor-se ao chamamento, por causa dessa perplexidade e dúvidas. Além disso, está relutante em atender ao apelo por causa da sua disposição física e talvez espiritual - "e Moisés escondeu o rosto, porque teve medo de olhar para Deus" (Cf. Ex 3:6) - não tinha a certeza de com quem estava a falar, "EU SOU O QUE SOU", por isso sente que não é satisfatório. Mas, bem no fundo deste nome surpreendente, está o risco, o risco certo que Moisés assumiu ao fazer o que Deus o tinha instruído a fazer, isto é, salvar o seu povo da aflição dos egípcios, e o resto, claro, é história.
Irmãos, este é o risco justo que a reflexão de hoje nos convida a correr neste tempo quaresmal. Tal como Moisés, muitas vezes somos prejudicados pelas nossas falhas físicas e espirituais. Ou estamos relutantes ou inseguros em ouvir aquela “voz mansa e delicada” (cf. I Reis 19:12) de Deus para converter e praticar as obras justas. O salmista sublinha que uma alma guiada por Deus pratica atos justos e faz justiça plena a todos os oprimidos (cf. Sl 103:6-7).
Nos nossos apostolados, por vezes temos medo e relutamos em tomar atitudes justas, por causa de medos e dúvidas mundanas. Precisamos de acreditar que é o espírito de Deus a guiar-nos para fazer justiça. Para realizar este chamamento, precisamos primeiro de confiar na orientação de Deus e, em segundo lugar, confiar em nós mesmos. É importante que peçamos a graça da paciência para não sermos levados pelas pressas mundanas contra o tempo. O Evangelho de hoje recapitula isso mesmo com a parábola do vinhateiro que pede ao seu senhor que seja paciente pelo menos durante um ano para poder tirar fruto da sua figueira. Esse era o risco certo, esperar para ver... mas depois de tomar a decisão certa.
Rezemos neste tempo quaresmal pela graça do discernimento, pela graça da paciência, para que as escolhas que fazemos na vida sejam guiadas pelo espírito de Deus, para que sejam justas. Nas vezes em que deixamos de atender a este chamamento, voltemos ao nosso Deus compassivo e gracioso, aquele que perdoa todos os nossos pecados e cura todas as nossas enfermidades, e arrependamo-nos.
Amém.
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