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Declaração da Jesuit Conference of Africa and Madagascar (JCAM) sobre o Dia Mundial da SIDA 2025

Superando a Disrupção, Transformando a Resposta à SIDA

O Dia Mundial da SIDA 2025 encontra-nos num momento decisivo. Justamente quando a AJAN começa a erguer-se, a reinventar o seu futuro e a reestruturar os seus alicerces para permanecer firme num mundo frágil e imprevisível, o chão move-se sob os seus pés. O financiamento para o combate ao HIV e à SIDA, outrora constante e vital como um rio em terra seca, está a diminuir e até a desaparecer em alguns lugares. O momento é marcante, quase simbólico: no exato instante em que tentamos construir força, os nossos apoios externos enfraquecem.

As consequências espalham-se como fissuras numa parede que desejamos sólida: programas de prevenção interrompidos, iniciativas comunitárias a lutar para sobreviver, trabalhadores da linha da frente afastados e tratamentos interrompidos. Após décadas de progresso, parece que o vento mudou, e precisamos de aprender a navegar de uma forma diferente.

I. Um momento para permanecermos juntos, na fé.

Ainda assim, o Dia Mundial da SIDA continua a ser um farol ou uma luz brilhante erguida bem alto. Ele recorda as memórias daqueles que perdemos, honra aqueles que vivem e lutam todos os dias, e chama-nos mais uma vez a estar orgulhosos, destemidos e livres do estigma. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável exortam-nos a acabar com a SIDA até 2030, a tornar a saúde universal e a abrir a porta da farmácia para cada filho de Deus. Mas quando o financiamento da saúde colapsa, o que acontece a esta promessa? O Salmista sussurra-nos: “Bem-aventurados os que têm consideração pelos fracos, o Senhor os livra em tempos de aflição.” (Sl 41:1) Este não é um momento para nos abandonarmos uns aos outros. É um momento para demonstrar o que a verdadeira solidariedade realmente significa.

II. Quando o financiamento global diminui, algo é revelado.

Durante décadas, doadores externos sustentaram a luta contra o HIV como pilares sob uma grande catedral. As suas contribuições construíram clínicas, mantiveram pesquisas e ofereceram cuidados que salvaram milhões de vidas. Mas a desaceleração, e em alguns lugares a retirada, do financiamento em 2025 revela uma verdade há muito escondida sob o conforto da ajuda: temos confiado excessivamente em pilares que não são nossos.

No início de 2025, em meio aos cortes de financiamento da USAID que afetaram programas de HIV, a Sra. Antoinette partilhou um testemunho comovente de esperança e resiliência. Ela falou com gratidão e preocupação: em 2023, recebeu nada mais do que três bandejas de ovos e uma pequena semente da Comunidade de Vida Cristã local. Com a ajuda da AJAN, construiu o seu sustento acrescentando sumo, água e amendoins. Hoje, possui duas mototáxis que empregam dois jovens. A sua voz ilumina-se quando fala sobre a dignidade restaurada, prova viva de que uma semente regada pela comunidade pode transformar-se numa árvore.

Mas ela também treme, porque 23 mulheres do seu grupo podem em breve perder o acesso aos ARVs. Um único corte no financiamento faz com que o ramo se dobre perigosamente. A sua história é de esperança, mas também um aviso. O progresso que depende de ajuda estrangeira não resiste a uma longa seca.

III. Um Chamado para Transformar, Não Colapsar

Se o financiamento diminuir justamente quando a África pretende passar por uma transformação estrutural, então talvez este momento, embora doloroso, contenha o potencial de renovação. A África não produz todos os medicamentos de que precisa. Ainda não consegue financiar os seus programas de tratamento em grande escala. No entanto, continua a ser o continente mais afetado pelo vírus. Portanto, é hora de levantar as nossas vozes e perguntar de forma audaciosa e honesta: Podemos desenvolver respostas que não colapsem quando a ajuda secar? Podemos construir capacidade interna, resiliência local e agência continental? Podemos passar da dependência para a autossuficiência?

Quando olho para a AJAN durante a recente Assembleia Anual em Nairobi, posso afirmar com confiança que podemos. Carregamos o poder de uma rede viva, o fogo da responsabilidade e a fé de que Deus colocou a cura da África nas mãos africanas. Este é o momento de investir na prevenção, a resposta mais acessível e humana. É também o momento de fortalecer o empreendedorismo comunitário, de formar os jovens na dignidade e na responsabilidade, e de criar soluções autóctones enraizadas no solo sob os nossos pés. Sinodalidade deve guiar-nos aqui: ouvir, discernir, agir, não apenas como recipientes, mas como coautores do nosso futuro.

IV. O nosso compromisso como Jesuítas e parceiros na missão

Nós, os Jesuítas e parceiros na missão na África, continuamos a sonhar com uma África sem HIV. Não é um sonho distante, mas um horizonte em direção ao qual estamos dispostos a caminhar. Estamos ao lado dos jovens, ensinando valores que protegem a vida e formando uma cultura que escolhe responsabilidade, respeito e dignidade. A lógica é simples, mas poderosa: quando menos pessoas forem infectadas hoje, haverá uma geração sem HIV amanhã. A prevenção não é apenas mais barata, mas também mais sensata.

A AJAN e os nossos parceiros continuarão a fortalecer a capacidade local, a construir redes de colaboração e a enfrentar a pobreza, o estigma e o desemprego, os cúmplices silenciosos do vírus. A luta não é apenas médica; é social, económica e espiritual. A resposta deve ser igualmente abrangente.

Conclusão: Quando o rio diminui, nós cavamos poços.

A redução do financiamento não é o fim; é um convite para pensar de forma diferente, para construir a partir do interior, para ousar inovar e para acreditar que somos capazes de mais do que apenas sobreviver. Rejeitamos o desespero e escolhemos a criatividade, a transformação e a esperança. São Paulo, escrevendo aos Filipenses, oferece uma nota de esperança: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” (Fil 4:13) Que Cristo caminhe conosco enquanto avançamos rumo a um continente curado, resiliente e livre. Que as nossas ações sejam prova de que acreditamos que um mundo sem SIDA é possível, e que a África ajudará a construí-lo.

De, Rev Fr José Minaku, SJ

Presidente, JCAM.

José Minaku SJ.

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