Nesta edição de novembro do Boletim AJAN, a questão urgente de como podemos salvar o nosso planeta assume o centro das atenções. Enquanto líderes globais se reúnem em eventos cruciais como a COP30 para negociar políticas climáticas, a juventude africana demonstra que a verdadeira ação climática começa ao nível comunitário.

O Secretariado de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus (SJES), através da sua campanha “Jesuits for Climate Justice: Faith in Action at COP30”, oferece uma perspectiva moral e espiritual nas discussões sobre o clima. Após a entrega da carta, a campanha “Jesuits for Climate Justice” realizou uma conferência de imprensa na Blue Zone da COP30, em Belém, Brasil, no dia 21 de novembro. A delegação jesuíta utilizou a plataforma para detalhar suas demandas e refletir sobre como fé, justiça e cuidado ecológico se cruzam em resposta à emergência climática.
O seu advocacy foca em três prioridades para os líderes globais:
- Cancelar as dívidas dos países subdesenvolvidos e reforçar o Fundo para Perdas e Danos: Dívidas impagáveis impedem que as nações em desenvolvimento invistam na adaptação climática. Os jesuítas defendem o cancelamento das dívidas e a criação de um fundo baseado em subsídios para enfrentar os impactos climáticos.
- Acelerar acordos e definir metas para uma transição energética justa: A eliminação rápida, equitativa e totalmente financiada dos combustíveis fósseis é crucial, em conformidade com a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris, respeitando ao mesmo tempo as responsabilidades históricas, os direitos dos povos indígenas e os meios de subsistência sustentáveis.
- Definir metas para estabelecer um sistema global de soberania alimentar baseado em práticas agroecológicas: a agricultura ecológica e culturalmente adaptada protege a biodiversidade e fortalece as comunidades de pequenos agricultores e indígenas.
Os jovens africanos que participam da iniciativa da AJAN para o empoderamento econômico da juventude, chamada « Jesuit Youth-Led Social Entrepreneurial (JYSEA) », estão traduzindo ambições globais em ação local. Ao combinar conservação ambiental com empoderamento juvenil, suas iniciativas abordam tanto desafios ecológicos quanto sociais. De projetos de agricultura sustentável e biodiversidade a iniciativas de economia circular, esses jovens mostram que soluções práticas e impulsionadas pela comunidade podem gerar um impacto duradouro.

Apesar de obstáculos como o desemprego, oportunidades educacionais limitadas e exclusão social, os jovens africanos continuam a liderar iniciativas comunitárias, a responsabilizar as autoridades e a desenvolver soluções inovadoras que fazem uma diferença real em suas comunidades. Suas ações nos lembram que o presente pertence a eles tanto quanto o futuro.
Por meio dessas empresas sociais, os jovens africanos estão colocando em prática inovação, gestão ecológica e responsabilidade espiritual, refletindo a visão jesuíta de fé em ação. A Terra é nossa casa comum, confiada a nós por Deus, e cuidar dela é tanto um dever moral quanto espiritual. Ao transformar resíduos em recursos, reduzir o consumo e construir economias locais sustentáveis, esses jovens estão moldando conversas regionais e globais sobre justiça climática, demonstrando que a inovação impulsionada pela comunidade é essencial para mudanças duradouras.
À medida que a África, um dos continentes mais vulneráveis às mudanças climáticas apesar de sua contribuição mínima, avança, é vital fomentar a liderança juvenil e soluções ambientais impulsionadas pela comunidade. As empresas sociais que integram conservação ecológica com empoderamento juvenil são prova de que fé, inovação e ação podem se cruzar para criar mudanças significativas.
Nesta temporada de reflexão e ação, continuemos a apoiar os jovens na criação de um futuro cheio de esperança e, junto com todos os cuidadores da criação, respondamos ao convite de Deus: transformar a conversão ecológica em ação concreta, transformar nossas economias e caminhar com humildade, porém com confiança, rumo a um mundo sustentável, justo e próspero. Ao colaborar com a profundidade do Evangelho para proteger e renovar a criação de Deus, garantimos que nossos esforços honrem tanto as pessoas quanto o planeta, fomentando comunidades enraizadas no cuidado, na justiça e na esperança.

Nesta newsletter, a AJAN celebra as extraordinárias vozes jovens que venceram o AJAN Youth Pilgrims of Hope Storytelling Contest 2025. Destaca também o evento de sensibilização para a saúde da Sociedade Católica da Universidade do Zimbábue, que capacitou estudantes com conhecimentos sobre o câncer de próstata e saúde mental, bem como a formação inspiradora em liderança e advocacia organizada pelo Escritório da Juventude Jesuíta da Província da África Austral (SAP), em colaboração com os Estudantes Cristãos Jovens do Zimbábue (ZYCS), no Centro Pastoral de Makumbi.Além disso, a newsletter apresenta a visita do Pe. Patrice Ndayisenga, SJ, Diretor Executivo da JUC Ruanda, que se reuniu com a equipe para uma atividade de plantio de árvores no Lycée de Kigali — mais um marco no contínuo Projeto de Conservação Ambiental e Alimentação Escolar da JUC.
Além disso, destacamos a forte presença do Centre Arrupe Madagascar (CA-MDG) na COP30 em Belém, Brasil, onde a delegação contribuiu para importantes discussões sobre justiça ecológica e dignidade humana. A Newsletter também registra os principais destaques da COP30, incluindo um novo apelo da campanha Jesuits for Climate Justice, instando as nações mais ricas a se comprometerem com o cancelamento de dívidas e o financiamento climático, para que as comunidades vulneráveis ao redor do mundo não “desapareçam”.
Por, Dennis Owuoche
Responsável de Comunicações, AJAN


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