Uma sessão do programa de formação AHAPPY destinada a professores, conselheiros e funcionários penitenciários decorreu entre segunda-feira 17 e quinta-feira 20 de fevereiro. A sessão teve lugar na casa dos Padres Carmelitas, em Karen – Nairobi, e foi dirigida pela AJAN. Os três grupos podem ser apropriadamente apelidados de bons samaritanos, devido ao papel que desempenham na sociedade. A principal agenda do seminário foi dotá-los de uma melhor compreensão do manual do AHAPPY para que possam entender melhor os seus papéis como mentores na promoção do desenvolvimento integral dos jovens nas suas respetivas áreas de trabalho.

Desde o início desta formação de três dias, os participantes foram unânimes em afirmar que há muita coisa a ser feita para que a meta de eliminar a SIDA no mundo em 2030 (estabelecida pela ONUSIDA) seja alcançada. Esta é realmente a principal razão pela qual eles julgaram ser necessário este exercício: refletir em conjunto e apresentar ideias para o seu trabalho de ajudar os adolescentes a evitar a infeção e garantir que os infetados ou afetados encontrem ajuda. Os prestadores de cuidados, tais como professores, conselheiros e funcionários penitenciários, são colaboradores essenciais para o trabalho da AJAN.

As doenças sexualmente transmissíveis, que incluem o HIV e a SIDA, foram assuntos a que o grupo dedicou bastante atenção. Observou-se com insistência que o comportamento sexual imprudente é bastante comum entre os jovens. Foi também assinalado que a higiene faz parte das medidas preventivas para doenças como gonorreia, clamídia, sífilis e outras, pois o contacto com a pele pode espalhá-las. Os professores partilharam as suas experiências com os alunos do ensino secundário, dado que o papel dos prestadores de cuidados foi um assunto importante do seminário.

A necessidade de ajudar a elevar a autoestima e de ajudar a que os jovens descubram o seu propósito na vida foi discutida como um ingrediente importante na luta contra o flagelo do HIV e da SIDA. “Compreender o valor do ser humano é importante porque, quando se compreende e começa a apreciar quem se é, é possível amar os outros e integrar-se bem na sociedade”, observou um dos formadores. A “vulnerabilidade dos adolescentes” e “os valores e princípios de vida” foram alguns dos tópicos abordados para aperfeiçoar essa perspectiva.

O programa procurou ser um processo participativo com recurso a vídeos curtos, discussões em grupo e apresentações. Os filmes apresentavam lições que são essenciais para ensinar os jovens a evitar as armadilhas que a pressão dos colegas apresenta no início da idade adulta.

Ideias interessantes

As observações feitas quanto aos desafios atuais colocados aos jovens levaram os prestadores de cuidados a expressar alguns pensamentos que acreditam serem capazes de transformar a sociedade para melhor e impedirem o aumento de novas infeções. Eles propuseram que a sexualidade deveria ser ensinada em linguagem apropriada no ensino básico, porque hoje em dia as crianças tendem a amadurecer e a tornar-se sexualmente ativas mais cedo do que antes.

“Começámos a ter a menstruação quando estávamos nas escolas secundárias aos 14 anos ou mais, mas hoje em dia há meninas de apenas nove anos a iniciarem o seu fluxo. É importante iniciar essa educação mais cedo e formar os pais para o importante papel de acompanhar as crianças em casa. Não vamos falar com as crianças apenas quando as coisas já deram errado. A adolescência já é tarde”, observou uma professora de biologia do ensino secundário.

“Há dois fatores, a maturidade precoce e a exposição ao conteúdo sexual devido aos instrumentos tecnológicos, que significam que hoje devemos ensinar a educação sexual às crianças mais cedo e fornecer-lhes ferramentas para que tomem decisões acertadas”, observou outro professor. Também ocorreu uma discussão sobre as razões que justificam que a homossexualidade pareça estar em forte ascensão no Quénia e em toda a África, tendo os conselheiros confirmado terem encontrado um aumento nos casos nos últimos anos. Foi afirmado que esse comportamento está a enraizar-se fortemente na nossa sociedade. Várias questões foram identificadas como causas, incluindo a pornografia, o ativismo externo e os contextos como a vida na prisão.

Um agente de direitos humanos na prisão observou que várias ações foram tomadas para lidar com a homossexualidade na prisão. Por exemplo, certificarem-se de que alguns prisioneiros não recebessem papéis de domínio sobre os outros para evitar que tirassem proveito deles. Também mencionou várias medidas tomadas nas prisões quenianas para ajudar os prisioneiros seropositivos, incluindo o fornecimento de nutrição saudável e de ARVs e um ambiente propício, para superar o estigma infelizmente dirigido aos seropositivos pelos colegas prisioneiros.

 

Foram, sem dúvida, três dias excelentes em que se confrontaram diversas ideias e pontos de aprendizagem, com a esperança de que resultem no aperfeiçoamento das nossas sociedades.

Por Caleb Mwamisi

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