Simpósio “Caminho para a Esperança – Capacitação das meninas quanto à Prevenção do HIV”, no Zimbabwe
Apesar da turbulência política que tem persistido no Zimbabwe, nação da África Austral, o dia 29 de junho de 2019 foi muito atarefado em Harare para oito escolas secundárias e um colégio, uma vez que decorreu então um simpósio do AHAPPY. Este foi organizado conjuntamente pelo Desenvolvimento Juvenil Integral e pela Escola Secundária Feminina Roosevelt, sob orientação do Programa HAPPY da AJAN.
A Escola Secundária Feminina Roosevelt foi a anfitriã de 122 estudantes, 56 meninas e 66 rapazes, provenientes dos Clubes YAA (Jovens contra a SIDA) de St Dominic’s Chishawasha, Escola Secundária Goromonzi, Escola Secundária Heritage, Escola Secundária Cherutombo, Escola Secundária Dzivarasekwa, Colégio Bernard Mzeki, Escola Secundária Masculina Allan Wilson e Escola Secundária Masculina Churchill, para lá do clube anfitrião.
O tema do seminário, “Caminho para a Esperança – Capacitação das meninas quanto à Prevenção do HIV”, representava uma oportunidade para o debate e a aprendizagem de uma multiplicidade de assuntos relativos ao HIV e à SIDA.
Os organizadores entrelaçaram o programa da jornada com momentos de diversão para promover uma formação mais eficaz dos jovens participantes por meio dos debates e das apresentações. Diversos clubes tiveram a possibilidade de apresentar as atividades que empreendem para a prevenção da calamidade do HIV e da SIDA.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação dos Profissionais de Enfermagem do Zimbabwe enviaram representantes ao encontro que contribuíram para os debates, para lá de fazerem apresentações cativantes.
Práticas culturais que colocam as meninas em risco
O Sr. Julius Batanai Chiremba, da Associação dos Profissionais de Enfermagem, apresentou o tema ‘Práticas culturais que colocam as meninas em risco’, as quais são por ele consideradas como não tendo merecido ainda uma adequada atenção. Ajudou os estudantes a considerar em maior profundidade questões como os casamentos precoces, a Mutilação Genital Feminina (MGF), os partos em casa e a recusa dos tratamentos médicos institucionais formais, tendo-os inspirado a conceber formas de intervenção a este propósito.
Têm vindo a aumentar entre os zimbabwianos a prática de recorrer aos tratamentos com base em plantas por oposição aos ARV e as crenças tradicionais. Por exemplo, a crença de que o HIV pode ser curado se a vítima tiver uma relação sexual com uma figura ‘pura’, tal como um profeta ou um líder religioso, o que, entre outros inconvenientes, põe as meninas em risco. Julius terminou a sua apresentação com uma sessão de perguntas e respostas.
O Dr. Mabaya, da OMS, centrou-se na criação de consciência quanto ao HIV e à SIDA, tendo revelado algumas estatísticas acerca de como os jovens do Zimbabwe são afetados pelo HIV e pela SIDA, bem como mencionado alguns mitos e conceções erróneas acerca da doença.
Respondeu depois a questões a propósito das origens do HIV, formas reais e falsas de transmissão do HIV, segurança das relações sorodiscordantes, administração da terapia antirretroviral e ainda o progresso na investigação médica até ao presente para atingir a cura para o HIV. O Dr. Mabaya mostrou-se muito satisfeito por poder responder a todas estas questões a partir do ponto de vista de um especialista e desafiou os participantes com questões por si introduzidas, as quais foram especialmente úteis para avaliar o quanto tinham aprendido e também o conhecimento geral que os estudantes tinham acerca desta ameaça.
A sessão da tarde foi intervalada com representações de dança, canto e poesia por parte dos clubes. O momento mais impressionante foi um poema comovente recitado por um estudante com uma limitação física do Clube YAA da Escola Secundária Cherutombo, que narra os infortúnios da deficiência: estigma, discriminação, exclusão e pena; ao mesmo tempo, advoga em favor de uma perspetiva renovada em relação às pessoas que vivem com deficiências em face do HIV/SIDA.
Uma informação atualizada é crucial na luta contra o HIV e a SIDA
A apresentação da OMS demonstrou que há ainda uma grave lacuna na informação acerca do HIV/SIDA entre os jovens, o que tem provocado graves consequências. Por meio deste simpósio, os participantes reconheceram a importância de possuírem informação atualizada e relevante para poderem lutar com sucesso contra novas infeções pelo HIV. O conhecimento quanto ao HIV/SIDA foi alargado, dotando-os da informação necessária para se protegerem e às pessoas à sua volta da infeção pelo HIV e outras patologias associadas.
Com base nos valores evangélicos e na longa e respeitada tradição pedagógica dos jesuítas, o AHAPPY visa em primeiro lugar o desenvolvimento integral, para dotar os jovens africanos do conhecimento, aptidões e valores para fazerem desabrochar o seu potencial e serem pessoas saudáveis e felizes capazes de resistir ao HIV.

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