Em finais do ano passado, Jacquineau Azetsop, SJ visitou a Sede da AJAN em Nairobi. Conversou com o Gabinete de Comunicação da AJAN e segue-se uma breve entrevista que lhe foi feita.

  1. Por favor, introduza-se brevemente a si mesmo. Quem é? O que faz?

Sou natural dos Camarões. Formei-me em bioquímica na Universidade de Yaoundé, antes de completar estudos de filosofia na Faculdade S. Pedro Canísio, em Kinshasa, e de teologia no Hekima College, em Nairobi. Sou detentor de um doutoramento em ética social pelo Boston College com uma tese sobre questões de desigualdade no campo da saúde e justiça social, um mestrado em saúde pública pela Universidade John Hopkins centrado em políticas de saúde e aspetos sociológicos da saúde pública, e um mestrado em ética teológica pela Escola jesuíta de Teologia de Weston.

  1. Prestou serviço no passado na AJAN. Quando é que isso foi? Diga-nos, por favor, mais acerca disso.

Sim, trabalhei na AJAN durante 6 meses, substituindo o então diretor quando ele estava a participar no Segundo Sínodo para a África. Foi bom trabalhar com grandes pessoas como o Ekeno e ficar a saber mais acerca do trabalho desenvolvido pelos centros espalhados por toda a Assistência de África e Madagáscar.

  1. É um dos artífices do Programa de E-Learning da AJAN para o HIV e a SIDA (AHELP). Por gentileza, diga-nos mais acerca desse Programa. Na sua opinião, qual é o futuro do AHELP? O que poderia ser feito para fazer dele um sucesso?

Sim, trabalhei em colaboração com Paterne Mombe, SJ, Raymond Bernard Hounnougbo, SJ, e Charles Agbessi, SJ, para o AHELP. Desenhámos um Curso de Diploma que compreende 6 módulos. Demos muita importância aos aspetos socioculturais e pastorais da prevenção da SIDA, sem descurar outras dimensões da prevenção e gestão do HIV e da SIDA, como a virologia, o aconselhamento, a ética teológica e a nutrição. Houve muitos candidatos ao programa. No entanto, alguns deles enfrentaram diversos problemas, como a ligação à Internet, a falta de tempo para participarem de modo efetivo e ativo no programa, as alterações relativas ao uso da plataforma do curso, entre outras.

Aprendemos com esta primeira experiência. Caso viermos a lançar de novo este programa, temos de estar bem preparados e preparar também bem os candidatos à sua realização.

  1. Enquanto Diretor da Faculdade de Ciências Sociais da Gregoriana, que desafios enfrenta na sua vida quotidiana? Como é que ultrapassa esses desafios?

Sou desde há dois anos Diretor da Faculdade de Ciências Sociais da Gregoriana. Acabei de dar início ao terceiro. Considero este trabalho como uma revelação, pois tem-me ajudado a descobrir algumas das minhas limitações e forças. Tenho de confessar com honestidade que a administração foi sempre para mim um desafio. Não sou uma pessoa bem organizada. No entanto, descobri que os outros podem dar uma boa ajuda, especialmente quando há confiança e apoio mútuo. Ser líder significa formular uma visão e convidar as pessoas a participarem nela. Para mim, as relações básicas e que geram vida são os fundamentos da liderança. Sempre que há respeito e atenção mútua, nunca se está só ao enfrentar desafios de monta. A fraternidade com outros jesuítas e colegas tem sido fundamental para as minhas tentativas de dar resposta aos desafios. Descobri que sempre que a alguém é confiada uma tarefa importante, acaba por escutar e receber mais dos outros do que de facto chega a dar. Mais ainda, aprendi algo aparentemente estranho, mas para mim real: se quiser liderar da forma que o Senhor quer, tenho de aceitar ser o “caixote do lixo” da Faculdade. Com uma tal disposição, posso evitar conflitos desnecessários.

  1. Quando acorda de manhã, qual é a sua maior motivação?

Como qualquer jesuíta, a oração diária e a Missa são indubitavelmente centrais para a minha sobrevivência. Encontro a minha força diária no Senhor e nos estudantes. O seu progresso humano e intelectual e o vê-los realizados dá-me coragem e alegria. Tudo é feito para a maior glória de Deus e o serviço do próximo. Esforço-me por alcançar esse ideal numa atitude de discernimento para encontrar Deus em tudo e buscando os meios apropriados para pôr em prática a missão que me foi confiada.

  1. Quererá fazer algumas considerações finais?

A AJAN deve desempenhar com coragem a sua missão, ainda que a SIDA já não ocupe o lugar que teve na cena internacional há alguns anos. A SIDA ainda provoca muitos estragos no nosso continente. Enquanto pessoas de fé, devemos evitar uma mentalidade de projeto, que consiste em saltar de um projeto para outro, por vezes sem adequada transição.

 

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